TJ-SP absolve Thiago Brennand de acusação de estupro e reverte condenação de oito anos de prisão
Brennand é réu em outros oito processos e está preso desde abril de 2023. Ele cumpre pena atualmente na Penitenciária II Álvaro de Carvalho, em Potim, no interior de São Paulo, após outras três condenações na Justiça. Essa é a segunda ação que a defesa dele consegue reversão na Justiça de SP.
Por Rodrigo Rodrigues, g1 SP — São Paulo
11/07/2026 16h25 Atualizado há 18 minutos
- O TJ-SP absolveu o empresário Thiago Brennand da acusação de estupro contra Stefanie Cohen. A decisão de segunda instância reverteu a condenação anterior de 8 anos.
- A denúncia do Ministério Público apontava que o crime ocorreu em 2022. O órgão relatou que Brennand levou a estudante a um hotel após ela passar mal.
- A defesa de Brennand recorreu da condenação alegando relação consensual. O Ministério Público também havia recorrido para pedir o aumento da indenização e novas condenações.
- Os desembargadores Francisco Orlando e Alex Zilenovski votaram pela absolvição de Brennand. Eles apontaram contradições no depoimento da vítima e aplicaram o benefício da dúvida.
- Thiago Brennand permanece preso desde abril de 2023. O empresário ainda responde a outros 8 processos e cumpre pena no interior de São Paulo.

TJ-SP absolve Brennand de acusação de estupro e reverte condenação de 8 anos de prisão
A 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) deu provimento a um recurso da defesa e absolveu o empresário Thiago Brennand de uma das acusações de estupro em que é réu.
O julgamento, realizado no fim de maio, reverteu a condenação de oito anos de prisão imposta em primeira instância, em agosto de 2025, por dois votos a um. Essa é a segunda condenação que a defesa dele consegue reverter na Justiça de SP. Ele ainda tem outras três condenação judiciais em 1ª instância (veja mais abaixo).
Neste caso de agora, Brennand havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em dezembro de 2022. Segundo a acusação, o crime ocorreu após um jantar na capital paulista, quando a vítima- a estudante de Medicina Stefanie Cohen – narrou que teria passado mal em razão da ingestão de bebida alcoólica (veja o depoimento dela aqui).

Na denúncia, ela narrou ao MP que o empresário conduziu a mulher até um quarto de hotel e, aproveitando-se da debilidade física dela, forçou a prática de atos sexuais.
Em primeira instância, a 30ª Vara Criminal de São Paulo havia condenado Brennand pelo crime de estupro. A sentença fixou pena de oito anos de reclusão, em regime fechado, além do pagamento de R$ 200 mil por danos morais à vítima.
O empresário, no entanto, foi absolvido de outras acusações naquele 1° julgamento, entre elas a de gravação não autorizada do episódio.
Por meio de nota, o advogado que representa Stefanie no processo disse que apresentou recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar restabelecer a condenação. Ele argumenta que a decisão contrariou a legislação federal ao dar maior peso a provas digitais produzidas de forma unilateral e que houve descumprimento do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e da chamada Lei Mariana Ferrer.
A defesa do réu foi conduzida pelos advogados Alberto Toron e Luiza Oliver. No recurso, os defensores sustentaram que a relação sexual foi consensual e argumentaram que a mulher não apresentou comportamento compatível com o de alguém que havia sofrido violência nos momentos seguintes ao episódio.
O Ministério Público também recorreu da sentença, pedindo a condenação de Brennand pelos demais crimes imputados na denúncia e o aumento da indenização por danos morais para R$ 1 milhão.
O julgamento no TJ-SP teve divergência entre os magistrados. O relator do caso, desembargador Tetsuzo Namba, entendeu que as provas eram suficientes para manter a condenação.
No entanto, ficou vencido pelos votos do revisor, desembargador Francisco Orlando, e do presidente da 2ª Câmara de Direito Criminal, desembargador Alex Zilenovski, que formaram maioria pela absolvição.
Ao analisar o recurso, o colegiado concluiu que as contradições estruturais apontadas pela defesa enfraqueceram a palavra da vítima por meio de elementos considerados confiáveis. Para os desembargadores que prevaleceram, a dúvida sobre a autoria dos fatos deveria beneficiar o réu, o que levou à absolvição.
Em seu voto, o desembargador Francisco Orlando afirmou que as provas colocam em dúvida a versão apresentada pelo Ministério Público sobre a ausência de consentimento da vítima.
Segundo o magistrado, as principais inconsistências apontadas pela defesa e acolhidas pelo TJ-SP foram determinantes para a conclusão do julgamento.

Por meio de nota, a advogada Karina Kufa Brennand – que cuida da defesa de Thiago Brennand e é a esposa dele – afirmou que a absolvição foi o “reconhecimento da verdade dos fatos” e ela espora que nos outros casos em que o empresário também é acusado de estupro, “a análise criteriosa das provas demonstre a inexistência de prática criminosa” por parte do empresário.
“Recebemos a absolvição com confiança na Justiça e no reconhecimento da verdade dos fatos. A decisão reforça que acusações precisam estar amparadas em provas e depoimentos consistentes. A isolada palavra da mulher não deve sustentar uma acusação, ainda mais sob a forte suspeita de conluio para fins escusos. Seguimos confiantes de que, nos demais casos, a análise criteriosa das provas demonstrará a inexistência de prática criminosa”, disse Karina Kufa.
O g1 procurou o Ministério Público e a defesa de Stefanie Cohen, mas ainda não recebeu retorno.
Como a absolvição aconteceu em maio, a defesa da vítima já recorreu da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
O g1 procurou o Ministério Público e a defesa de Stefanie Cohen, mas ainda não recebeu retorno.
Como a absolvição aconteceu em maio, a defesa da vítima já recorreu da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.
Thiago Brennand é réu em outros oito processos e está preso desde abril de 2023. Ele cumpre pena atualmente na Penitenciária II Álvaro de Carvalho, em Potim, no interior de São Paulo, após condenação em primeira instância em cinco processos. Um deles é esse envolvendo a estudante e miss Stephanie Cohen, revertido agora no TJ-SP.
Vejas a outras condenações envolvendo o empresário pernambucano:
- Estupro contra uma mulher norte-americana – condenado inicialmente a 10 anos e 6 meses de prisão. Em 2025, o TJ-SP reduziu a pena, mas manteve a condenação. Em 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) restabeleceu a pena original de 10 anos e 6 meses;
- Agressão contra a modelo Helena Gomes, em uma academia de São Paulo – condenado a 1 ano e 8 meses de prisão. A condenação foi mantida pela Justiça;
- Estupro com emprego de violência física e grave ameaça (outro processo) – condenado a 10 anos e 6 meses de prisão em 2024.




